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O lobisomem e o anjo caído
por Miguel Azevedo
Mais improvável do que ver os Moonspell a fazerem um disco sobre o terramoto de 1755 ou ouvir Fernando Ribeiro a cantar em português, é ver Paulo Bragança metido nesta aventura.
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SÁBADO 28 OUTUBRO - 01H
Encontro... Mais improvável do que ver os Moonspell a fazerem um disco sobre o terramoto de 1755 ou ouvir Fernando Ribeiro a cantar em português, é ver Paulo Bragança metido nesta aventura. O fadista, que esteve a viver fora de Portugal durante onze anos e que regressou este ano depois de um longo período de reclusão pessoal, empresta a sua voz ao tema ‘In tremor Dei’, talvez uma das composições mais poderosas do disco. O resultado é mais do que apocalíptico. É apoteótico. É dramático e triunfante. É devastadoramente belo e glorioso, fruto da coragem de dois músicos que têm mais em comum do que se possa pensar. Para além de terem iniciado a carreira na mesma altura, Fernando Ribeiro já esteve ligado ao fado no projeto Amália Hoje e, quis o destino, que Paulo Bragança tivesse vivido nos últimos tempos num castelo assombrado na Irlanda, um cenário fantasmagórico onde não será muito difícil imaginar os Moonspell. Paulo Bragança desafiou o fado, os Moonspell recusaram o mainstream. Um terramoto juntou-os. Dificilmente alguma coisa os poderá separar. "Acho que ganhei amigos para a vida" diz o fadista. "De facto não foi fácil encontrar o Paulo, mas tinha que acontecer. Este disco tem muitas reminiscências e eu sempre gostei muito do Paulo Bragança. Ele é o grande anjo caído do fado e por isso acho que é menos amestrado do que os outros", explica Fernando Ribeiro. "Quando fizemos o ‘Tremor Dei’, que veio na primeira leva de canções, sempre pensei em tê-lo a cantar. Eu já ouvia a voz dele na minha cabeça. Depois de vários desencontros lá nos contactámos e tornámo-nos amigos", conta o músico, que não poupa elogios ao fadista. "Ele tem uma voz que é de Portugal inteiro. É de Lisboa, mas também é de Coimbra e de Trás-os-Montes. Ele faz parte do meu imaginário e tê-lo em estúdio a gravar foi para nós uma das maiores dádivas deste disco". 
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