Política

Neneh Cherry nem quer ouvir falar do actual presidente americano.
10 nov 2018 • 00:30
Fernando Sobral
O percurso de Neneh Cherry, desde o sucesso de ‘Buffalo Stance’, em finais da década de 1980, tem sido circular. Não é um destino definido.

Talvez por isso Neneh não tem gravado regularmente. Agora, saída de um silêncio de alguns anos, gravou este novo disco num estúdio preferido do seu padrasto, Don Cherry, em Satskils. Se ‘Blank Project’, de 2014, era um disco introspectivo, este ‘Broken Politics’ usa histórias pessoais para as confrontar com o mundo que nos cerca.

É um álbum mais interventivo. Neneh continua aqui a sua colaboração com o produtor Kieren Hebden, aliás Four Tet. É um disco que não vira a cara à luta, como se nota logo pelo início, mas isso é feito de uma forma tranquila.

No tema inicial ‘Fallen Leaves’ ela cruza a sua voz com o som da harpa, do piano e das batidas electrónicas. Na última canção, ‘Soldier’, o som da harpa é omnipresente, acompanhado de harmonias vocais. As frases fortes são acalmadas pela música envolvente.

O fogo é temperado pela calma. ‘Natural Skin Deep’ leva-nos, por seu lado, para o mundo do jazz, com um saxofone destemido a acompanhar as palavras de Neneh Cherry. ‘Broken Politics’ foi gravado em Fevereiro de 2017, um mês depois da investidura de Donald Trump. Não foi um acaso.

Ela nem quer ouvir falar do actual presidente americano. Os seus temas falam sobre coisas que causam comichão a Trump: refugiados (‘Kong’), aborto (’Black Monday’), armas (‘Shotgun Shack’), desinformação (‘Faster than the Truth’), direitos das mulheres (‘Soldier’). Reflexões pessoais cheias de energia musical.
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