Existem pessoas que têm medo de se apaixonar, e por isso desistem antes de tentar .
31 jul 2015 • 08:00
Quintino Aires
São muitas as pessoas que têm medo da paixão. Desejam, como qualquer outra pessoa, mas evitam-na, com medo de que acabe, com medo de que no futuro deixem de gostar e não sejam capazes de dizê-lo, que fiquem presos a um amor que já passou.
As semanas passam, os meses passam, e muitas vezes passam anos, e vivem angustiADOos e tristes, sozinhos, deitados no sofá lá de casa. São normalmente gente que ainda não percebeu que se sobrevive a um desgosto de amor. Sofre-se, claro, e às vezes muito, mas depois passa.
Ao mesmo tempo encaram cada relação amorosa como um compromisso que devem assumir até ao fim das suas vidas, e por isso não percebem que, se deixarem de gostar, podem enfrentar a realidade, falar com a outra pessoa e terminar o namoro ou mesmo o casamento. Ou são pessoas que nunca se treinaram a enfrentar os problemas da vida amorosa, como muitas vezes já o fazem e até com grande agilidade na vida profissional.
São como crianças em corpos de adultos quando se trata destas áreas das emoções e dos amores, embora possam ser muito maduros e crescidos noutras áreas da vida. E porque nesta área sentem e pensam como crianças, não têm coragem para enfrentar como é próprio apenas dos adultos.
Cada nova paixão é acompanhada de crises de ansiedade, por vezes mesmo de crises de pânico, o que os faz recuar imediatamente. E mais uma vez perdem a oportunidade de ganhar a experiência que sempre é necessária para ser capaz de arriscar perder.
É pena, porque continuam a sofrer já que continuam sem ter o que tanto desejam. É pena, porque apaixonar-se e amar é das mais belas maravilhas na vida. É pena, porque se arriscassem, mesmo que sofressem algumas vezes, descobriam depois, como tantos outros já descobriram, que dói mais a solidão do sofá do que a tristeza de perder ou a ansiedade de enfrentar e dizer que não se quer mais.