Rita Mendes: “Tenho a vida que sempre quis”

Longe vão os tempos em que era a menina do ‘Portugal Radical’
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13 jul 2013 • 10:30

Longe vão os tempos em que era a menina do ‘Portugal Radical’. Aos 36 anos, construiu uma carreira como DJ e é já uma reconhecida blogguer. Com uma vida agitada, Rita Mendes é o exemplo de como uma carreira intensa é compatível com uma vida pessoal preenchida com dois filhos, Afonso Luz e Matilde Estrela.

- Acaba de lançar mais um projeto, a DJ Mendinha, agora dedicado às crianças. Como está a correr?

- Eu e o Afonso [filho] fazemos brincadeiras com a mesa de mistura em casa, cantamos muito, fazemos as coreografias e pensei: porque não conciliar o meu trabalho como DJ com as crianças? E fazer uma separação entre a Rita Mendes DJ e a DJ Mendinha… A DJ Mendinha tem dois totós, um chapéu. Eu passo desde o Avó Cantigas a Xana Toc Toc, tudo o que eles ouvem. Apresentei-me no Dia da Criança. Correu muito bem. Os miúdos gostaram e eles são o melhor e o pior público. A minha ideia é fazer festas de aniversário, de Natal, de empresas...

- Mas há mais novidades...

- Decidi criar músicas originais. Costumava dizer "só me falta cantar". E agora vou cantar. Já tenho um original para a DJ Mendinha, que se chama ‘Bom Dia Alegria’. E a minha ideia é, até ao Natal, lançar um CD de originais.

- Não está a começar nada devagar. O verão é bom para arrancar?

- O verão é mais para DJ à séria. As festas para crianças existem todo o ano, não são necessariamente no verão. O que acontece é que, paralelamente, continuo a trabalhar como DJ, estou a fazer mais ‘sunsets’ e mais trabalhos em Lisboa, fazia imensas viagens. Houve alturas em que quarta, quinta, sexta e sábado andava de um lado para o outro. Neste momento, não posso.

- Dois filhos não a fazem abdicar da vida profissional?

- Não abdico, concilio. Não é fácil, mas dá-me uma energia extra e sinto-me muito orgulhosa por estar a conseguir fazê-lo. Houve alturas em que pensei que, ao ser mãe, tinha de deixar de ser DJ. Isto porque me diziam que a noite não era compatível.

- Tem muitas datas para este verão?

- Tenho menos. Os cachês diminuíram, e eu também optei por fazer menos. Prefiro fazer dois ou três trabalhos bem pagos a dez ou 11 menos bem pagos. Também estou numa altura da minha carreira que não preciso de aparecer tanto e, além disso, baseio muito a minha vida profissional na internet. Tenho várias plataformas na internet – barriga mendinha, que é blogue, e página no facebook – e estou a criar agora um blogue que tem a ver com música, chama-se musicinme/ritamendes.

- Mas isso para adultos…

- Sim, é bom ser a mãezinha, mas não sempre. O meu blogue e facebook acompanham a minha vida pessoal e mostro que tudo é possível e que tudo se consegue, mesmo não sendo fácil. Mas há obviamente temáticas que não entram no blogue. Por isso, decidi criar uma plataforma onde posso fazer entrevistas, dar a conhecer as histórias…

- No fundo, mostrar o mundo onde se move…

- Sim. Arranjei mais lenha para me queimar. Trabalho muito, mas trabalho em casa ou no hotel, no café… Sempre gostei muito de escrever e encontrei o meu caminho. Já ganho algum dinheiro com isso, embora não seja fácil.

- Ser DJ é difícil para uma mulher?

- É um meio competitivo, acho que é difícil dar credibilidade por ser uma mulher. Tenho amigas DJ que são melhores que muitos homens, e por não serem conhecidas como eu sou passam as passinhas do Algarve. Depois há o contrário: contratam muitas vezes por ser mulher, dá cor à cabina e nem sequer sabem o trabalho que essa pessoa faz.

- Como gere a sua vida com dois filhos pequenos?

- É engraçado porque eu mudei totalmente, embora a essência seja a mesma. Às vezes olho para mim e vejo uma ‘pita’ de 18 anos, mas a nível de prioridades, não. Hoje penso como é que eu dizia que não tinha tempo para isto ou para aquilo, porque agora que não há, parece que tem de crescer não sei como. E cresce. O que me impele a trabalhar tanto são os meus filhos.

- Onde está a menina do programa ‘Portugal Radical’?

- Ainda está aqui. Às vezes até tenho medo de ficar um bocadinho gaiteira, porque vou a caminho dos 40. Há pessoas que nasceram para ser crianças durante muito tempo. A minha avó tem 85 anos, e eu olho para ela como uma menina. A energia dela é de menina, e eu acho que vou ser muito assim. Nas coisas boas e nas coisas más, por exemplo, eu passo a vida a ser enganada, inocência de criança. Passo a vida a meter-me com as pessoas erradas, a levar com rasteiras. Sou pouco terra-a-terra e cada vez tenho mais de o ser, obrigo-me a ser.

- A sua vida vai sendo construída de repente, como foi o nascimento do Afonso, de dois anos...

- E da Matilde [oito meses] também. O Afonso é uma luz. A minha vida de atividade e de tanta luta é facilitada por ele ser um menino fácil. Não faz grandes birras, pede para ir para a cama, come bem. É um miúdo muito feliz com a vida que eu decidi para ele. Ou seja, com a minha separação do pai dele [Roger Branco].

- O Afonso ressentiu-se?

- Agora surgem perguntas. Ele agora acha estranho porque é que o pai da mana é o Hugo [Caetano] e vivemos todos juntos, e o pai dele não. Mas acho que começa a estar bem resolvido na cabeça dele e sinto mesmo que é uma criança feliz.

- Mas agora tem uma relação mais saudável com Roger Branco?

- Chega a uma altura em que as mágoas passam, e a maré fica mais calma. Estamos neste momento a viver essa parte, e é bom para todos.

- E contava voltar a ser mãe um ano depois do nascimento de Afonso?

- Nunca. Foi tudo de repente. Conheci o Hugo, foi uma paixão fulminante, e eu engravidei. Ele sempre quis ser pai e eu sempre quis ter uma família. Lembro-me que as pessoas pensavam que eu queria ser mãe solteira. Nada disso. Com o Roger vivia uma relação que, para mim, não fazia sentido. Passei a infância com os meus pais a discutir, e eles só se divorciaram já eu era adulta. Sofri muito em criança, portanto, não queria que o meu filho passasse por isso. Foi uma decisão pensada e assumida. Mas sempre quis muito uma família. Não é o fim do mundo ser mãe solteira. O que acontece é que me apaixonei novamente e a Matilde – nascida há oito meses – foi construída no auge da paixão.

- Há quanto tempo namorava com o Hugo quando engravidou?

- Três meses. E decidimos que queríamos muito estar juntos. Não tem sido a coisa mais fácil do mundo. Mas tem sido uma aprendizagem muito grande.

- Estão há muito pouco tempo juntos…

- Sim, às vezes sentimos que tivemos pouco tempo para namorar. Mas tem corrido bem, o balanço é positivo.

- Mas surgiu o rumor de que estava separada.

- Não me separei. Tivemos uma zanga. A nossa vida é tensa, apesar de gostarmos muito um do outro. Além disso, eu sou DJ e nem todos os homens aceitam muito bem. Por isso, há dias que corre bem e há outros em que há picardias. Mas está tudo ótimo.

- Sente falta de ter tempo para si?

- Muito. A maternidade é, sem dúvida, a melhor coisa que me aconteceu, mas tenho muitas saudades de não estar a olhar sempre para o relógio. E isso tem a ver com as crianças e com o trabalho intenso que eu comecei a fazer. Já não ando tanto ao sabor do vento.

- E tem saudades de estar sozinha?

- Sim. No outro dia, escrevi isso no blogue. Já não estava sozinha há meses. O Hugo foi a casa da mãe e levou a Matilde, e o Afonso estava com o pai. De repente, dei comigo a ver o ‘Sexo e a Cidade’. Senti-me humana outra vez, senti-me mulher. E fiz um petisco, bebi uma cerveja e comi umas batatas fritas. Uau, que loucura!

- Isso leva a pensar que só damos valor às coisas quando não as temos?

- Exatamente. Lembro-me de ser solteira e de pensar que não queria estar sozinha em casa a ver filmes, que era uma solidão. Qual solidão? Às vezes apetecia-me tê-la. Mas isso não invalida que eu não ame a vida que tenho. É a velha máxima – ‘tem cuidado com o que desejas porque pode concretizar-se’. E sem dúvida que eu sinto que tenho a vida que quis, mas também olho para trás e penso que já tive a vida que quis e nem dei por isso. O ser humano é insatisfeito e temos é de aprender a encontrar na vida atual, com as dificuldades, condicionantes, o melhor que se pode tirar daí.

- Os seus filhos ainda são pequeninos. ‘Fechou a loja’ como se costuma dizer?

- Não digo que não, até aos 40 é possível. Se a minha vida estabilizar a nível financeiro como quero... Caso contrário, não andaria a correr tanto. Estou a lançar os dados para ver se algumas destas minhas diretrizes de trabalho criam mais raízes. Se eu tiver mais tempo, gostava de ir ao terceiro. Isto porque o Hugo gostava de ir ao segundo. Apesar de ter uma relação muito próxima com o Afonso, mas não é o seu filho biológico. Até aos 40 posso esperar, tenho mais quatro anos.

- O casamento alguma vez fez parte dos seus planos?

- Sinceramente não. Acho que o casamento é muito importante para quem gosta de fazer festas. A minha vida é uma festa, às vezes sem me apetecer. Também não digo que desta água não beberei. Neste momento, não é prioritário para mim.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Gostava que fosse a três: com os meus filhos já crescidos.

- Quem é o homem mais sexy do Mundo?

- O Afonso. Ele acha que é sexy, pergunta sempre se está giro.

- O que não suporta no sexo oposto?

- A insensibilidade. Os homens são muito brutos, no geral.

- Qual é o seu maior vício?

- A internet.

- O último livro que leu?

- Nem sei, qualquer coisa como o Bê-à-Bá da maternidade. Desde que tive o Afonso, nunca mais li.

- O filme da sua vida?

- ‘Big Fish’.

- Cidade preferida?

- Lisboa.

- Um desejo?

- Acalmar.

- Complete. A minha vida é…

- uma roda-viva.

PERFIL

Rita Mendes nasceu a 20 de abril de 1977 (36 anos). Aos 18, apresentou o programa ‘Portugal Radical’. Atualmente, é DJ e blogger. A 11 de outubro de 2010, nasceu o seu primeiro filho, Afonso, do relacionamento com Roger Branco. Dois anos depois, a 29 de outubro de 2012, tem Matilde, fruto da sua paixão com Hugo Caetano.

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