Sempre achou que a revista para adultos ‘Playboy’ era "desatualizada" e, 20 anos após a fundação da publicação do magnata Hugh Hefner, decidiu ir ainda mais longe: em 1974, o empresário natural do Kentucky, Larry Flynt, que já detinha vários bares de striptease, lançou a ‘Hustler’, revista famosa pelos nus integrais, a exibição de genitais e cenas explícitas de pornografia. O escândalo rebentou e perseguiu-o toda a vida. Larry Flynt morreu na quarta-feira, aos 78 anos, após um ataque cardíaco.
Desde que lançou a ‘Hustler’, foi alvo de inúmeros processos judiciais. A polémica e as várias acusações de imoralidade e crime organizado levaram-no dezenas de vezes às barras dos tribunais. Mesmo assim, a fortuna crescia a olhos vistos e Larry Flynt lançou-se na produção de filmes pornográficos, sempre inspirado na publicação mensal, tanto obscena quanto famosa. A ‘Hustler’ tornou-se um êxito quando, em 1975, publicou fotografias eróticas da antiga primeira-dama dos EUA, Jacqueline Onassis. Passou a ter cerca de um milhão de exemplares, chegou a alcançar os três milhões e, atualmente, a tiragem ronda os 500 mil.
Flynt foi alvo de uma tentativa de homicídio, em 1978: baleado na coluna, ficou, desde então, paraplégico (ver caixa ao lado), mas viria, em 2013, a apelar para que o autor dos disparos, Joseph Paul Franklin, executado no Missouri, não fosse vítima da pena capital. Defensor acérrimo da liberdade de expressão, tentou abraçar a política: concorreu à presidência norte-americana em 1984 e a governador da Califórnia, em 2003.
Casado cinco vezes, Larry Flynt chegou a dizer que o maior amor da sua vida foi a quarta mulher, Althea, seropositiva, que morreu em 1987 afogada numa banheira. O magnata deixa quatro filhos.
Hollywood contou percurso em filmeA ascensão do empresário e as polémicas judiciais por imoralidade estão na base do filme ‘Larry Flynt’ (1996), de Milos Forman. O realizador e o protagonista, Woody Harrelson, chegaram a ser nomeados para o Óscar.
Casino sexy foi rara aposta fracassadaEm 2000, já ultrapassados os anos de ouro da carreira, Larry Flynt chegou a investir num casino em Los Angeles, tendo como temática a revista de conteúdos pornográficos que fundou, a ‘Hustler’.
Os tons de rosa e a sensualidade eram a base deste espaço, também com direito a espetáculos de sexo. No entanto, acabou por fechar portas pouco tempo depois da inauguração e a reabrir noutros moldes. Além do casino, Flynt deixa uma rede de bares e uma produtora, que lança filmes pornográficos, com contratos de ‘video on demand’ para mais de 50 países.
Cadeira feita de ouroEstava há 42 anos numa cadeira de rodas, após ser baleado nas costas. Porém, mais uma vez, primou pela excentricidade e elegeu um modelo todo banhado a ouro. Dizia ainda que a paralisia não acabou com a sua vida sexual, por ser "criativo".